O País Sem Nome


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Por Raquel Seiça


Graças à nossa capacidade de imaginar, a nossa mente costuma levar-nos a conhecer diversos mundos cujos nomes ficam gravados na memória. Afinal, os nomes contêm significado, representam, relembram… Com isto, Maria de Lourdes Soares veio a adicionar uma nova obra à sua coleção ‘Países Imaginados’, contudo, esta obra difere-se das restantes, pois fala sobre um país cujo nome parece ter-se perdido com o tempo.

Na obra O País sem Nome, somos apresentados a um país mergulhado na miséria e no esquecimento, onde os ricos obrigam os pobres a trabalhar em péssimas condições e onde a poluição reina e a natureza definha. Em outras palavras, um país injusto e isolado, sem nenhuma expetativa de um futuro próspero. Até que, um dia, apareceu um jovem rapaz a quem lhe deram o nome de ‘O Cantador’, trazendo com ele a sua viola e mensagens de esperança. Esperança de criar um futuro promissor para o país e para a nova geração.

A meu ver, a nível linguístico, a linguagem flui naturalmente, retratando, de forma clara e simples, dilemas atuais como a degradação do meio ambiente, a miséria e a desigualdade social, enquanto, a nível visual, Carla Nazareth dá cor ao texto, capturando na perfeição a dureza das condições dos habitantes, a nocividade da poluição, a graciosidade da natureza e a promessa de esperança, o que acaba por salientar o papel crucial dos artistas em demonstrar o que há de mais belo e de errado neste mundo, do mesmo modo que o Cantador desperta emoções e ideais através da sua música.

Em suma, apesar de ser, essencialmente, uma obra infantojuvenil, é uma leitura elucidativa para todas as idades, conscientizando os leitores, principalmente os jovens, sobre o poder do diálogo e a capacidade de ouvir os outros e de viver em harmonia com a Natureza.

O País Sem Nome (2018)

Texto: Maria de Lourdes Soares

Ilustrações: Carla Nazareth

Editora: Paulinas Editora

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