Imagem de Diane Pilkington, no Unsplash
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quarta-feira, 08 de julho de 2026
Por Joana Inácio
Muitos sonham em entrar numa livraria, vaguear por entre as estantes e parar à frente de um livro especial, aquele que tem o seu nome na capa. Escrever e publicar um livro é um processo árduo, que pode durar anos, mas é algo que transmite, quando terminado, um sentimento de realização. Enquanto a escrita é algo que depende inteiramente do autor, a publicação implica (normalmente) o envolvimento de outros agentes. Embora muitos autores queiram pertencer a uma casa editorial, outros preferem manter a sua independência. Por isso, hoje vamos explorar os caminhos da publicação: a publicação tradicional e a autopublicação.
Começamos por desvendar o percurso do livro no processo de publicação tradicional. É comum associar apenas o autor ao momento da escrita, contudo a sua interação com a obra vai para lá desta função. Antes de enviar o original para uma editora, o autor tem de o preparar. É necessário realizar uma revisão, de forma a garantir que o texto não apresenta erros graves, e formatar o texto segundo as instruções fornecidas pelas editoras. Tais informações, como o tamanho e tipo de fonte e o tipo de documento (Word ou PDF), costumam estar disponíveis nos websites das editoras. Logo, aconselhamos todos os escritores a visitar os websites antes de enviar o original.
O passo seguinte é entrar em contacto com a editora. É importante que o autor conheça o mercado editorial. Portugal é marcado por grandes grupos editoriais, como a Porto Editora, Leya, Presença e agora a Penguin Random House, que têm várias chancelas, cada uma com a sua linha editorial específica, o que lhes permite publicar uma grande variedade de obras. Na periferia encontramos editoras independentes, muitas vezes focadas apenas num nicho — como literatura infantil, poesia, não-ficção —, que tentam sobreviver à forte concorrência. É aconselhável fazer uma pesquisa do mercado editorial, dos catálogos editoriais e selecionar um número de editoras para as quais será enviada a obra. Na proposta editorial deve constar a carta de apresentação, o original e a sinopse do mesmo.
De todo este processo só poderão surgir duas respostas: rejeição ou aceitação. Caso o autor seja rejeitado, poderá tentar a autopublicação (que vamos explorar mais à frente). Por outro lado, a aceitação do original levá-lo-á para dentro do mundo das editoras. Serão feitas negociações, contratos serão assinados e a obra entra finalmente no processo de publicação.
Aqui o texto começa a sua transformação ao passar pelas mãos de vários agentes do livro. O miolo vai ser revisto pelo revisor e formatado pelo paginador até dar origem às provas finais, que irão para a gráfica para impressão. O designer, seguindo as instruções do editor e, por vezes, inspirado por um resumo da obra, cria a capa, ou várias versões de uma capa. O autor poderá ver a capa e dar a sua opinião, contudo a decisão final cabe à editora. Enquanto a produção do objeto físico decorre, os departamentos de marketing e de vendas da editora trabalham em conjunto com a equipa editorial para criar a melhor estratégia para tornar o livro visível no mercado. Quantos exemplares estarão disponíveis? Serão criadas edições especiais e passatempos? Haverá apresentações em livrarias? Haverá material promocional? Como será apresentado o livro nas redes sociais? Tudo isto será discutido de forma a atingir uma conclusão: levar o livro até ao consumidor final da forma mais eficaz, para garantir que o objetivo de vendas é alcançado. É importante ter em mente que, apesar de ser um objeto cultural, o livro acaba por ser um produto de uma empresa. É nesta fase do processo de publicação tradicional que o autor poderá contribuir com maior intensidade. Vivemos numa era digital, onde tudo está online. Embora a editora se responsabilize pela estratégia de marketing, o autor poderá usufruir das redes sociais para se promover a si, à sua obra e para criar uma comunidade online.
Este é um dos caminhos pelo qual o autor pode embarcar para ter o seu livro publicado. Um caminho longo e trabalhoso, mas que não exige do autor nenhuma contribuição monetária. Tudo está a cargo da editora.

Por outro lado, muitos autores investem o seu próprio dinheiro para verem o seu livro publicado, ou porque foram recusados por editoras, ou porque querem manter o controlo sobre todo o processo de publicação. A este tipo de publicação chamamos autopublicação. Não é um fenómeno recente: já em séculos anteriores, autores como Mark Twain, Jane Austen, Walt Whitman e Fyodor Dostoevsky autopublicaram as suas obras.
O processo não foge muito àquele que foi apresentado anteriormente. O autor precisa de preparar o original, editar o livro, distribuí-lo e promovê-lo. Contudo, neste caso, o poder e a responsabilidade caem na totalidade nas mãos do escritor. É ele que escolhe os agentes que interferem e o ajudam a apresentar a sua obra ao público.
O processo de preparação do original é o mesmo que mencionámos anteriormente. O autor faz uma revisão inicial, antes de se empenhar a fundo na edição do manuscrito. No processo de publicação, o autor pode seguir três grandes caminhos:
Edição de autor: o autor fica responsável pela conceção do objeto desde o início até ao fim. É o autor que escolhe os profissionais que quer ou não envolver, de forma total ou parcial, desde revisores, paginadores e designers, os materiais utilizados e a gráfica que irá imprimir o livro. Por outro lado, o autor também pode escolher desenvolver ele próprio todas as funções, executando assim uma autoedição ou autopublicação independente. Tudo depende dos conhecimentos, do orçamento, da visão e do nível de envolvimento e autonomia que o autor deseja manter durante o processo de publicação. Esta é uma metodologia de autopublicação que, apesar de colocar todo o controlo criativo na figura do autor, poderá ser dispendiosa.
Vanity presses: este tipo de editora fornece, em teoria, aos autores os serviços encontrados em editoras tradicionais, como a revisão, paginação, design/ilustração e distribuição, contudo a responsabilidade monetária continua a recair nas mãos do autor. Neste tipo de autopublicação, o autor encarrega terceiros do processo de produção da sua obra.
Plataformas digitais: esta é a metodologia que as pessoas associam automaticamente à autopublicação, uma vez que o seu crescimento está ligado às evoluções digitais. Apoiadas na impressão sob demanda (Print On Demand ou POD), e marcadas pela sua simplicidade e rapidez, estas plataformas, como a Kindle Direct Publishing da Amazon, permitem aos autores publicar as suas obras através de uns simples cliques. Neste tipo de autopublicação é necessário que o autor faça upload da capa e do manuscrito completamente editados e formatados, ou seja, a produção volta a estar nas suas mãos.
O autor terá de refletir sobre o nível de autonomia que deseja manter durante o processo de produção, qual será o seu orçamento e avaliar as várias opções que marcam a autopublicação para chegar à opção que mais se adequa ao seu objetivo.
Apesar de ser um processo que exige mais tempo do autor, este não se pode esquecer da promoção. Também aqui o autor terá de investir o seu tempo para dar a conhecer a sua obra. Pode ele próprio gerir as suas redes sociais e website, ou poderá contratar gestores de redes sociais que, ao trabalharem em conjunto com o autor, criam conteúdo apelativo e mantêm um contacto constante com os seus seguidores. Muitos autores autopublicados começam a promover a sua imagem e a sua obra não após esta estar completa, mas desde o início. Levam os seguidores numa jornada que passa da escrita, à edição, até ao momento em que a obra se encontra pronta para a publicação. Criam uma ligação, uma relação, desde o início, uma comunidade que está presente durante todo o processo e mal pode esperar para que o autor consiga realizar o seu sonho.
Atualmente, o mercado editorial apresenta várias opções para a publicação de obras. Os autores não têm de estar obrigatoriamente ligados a uma casa editorial para verem os seus livros nas estantes das livrarias e nas estantes dos leitores. As evoluções tecnológicas permitem a qualquer um partilhar as histórias que há muito tem guardadas na gaveta.
Bibliografia:
Mendes, R. C.. (2016). Como Publicar o Seu Livro: O Mundo Editorial por Dentro e por Fora. (1ª edição). Bertrand.
Publicar é escolher: O universo das editoras explicado