Publicar é Escolher: O Universo das Editoras explicado

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Por Raquel Seiça


Uma sensação de alívio e de realização abate-se sobre nós, os ossos dos ombros e do pescoço a estalar, finalmente livres da pressão acumulada. À nossa frente, repousa o trabalho de uma vida, cuidadosamente disposto sobre a secretária. Várias páginas impressas repletas de aventuras, mundos e sonhos – perfeitamente alinhadas –, compondo uma imagem de serenidade e equilíbrio.

O manuscrito está pronto. O trabalho está feito. Bem… mais ou menos. Ainda estamos longe de alcançar o destino, pois este foi apenas o primeiro passo. Impõe-se a questão: e agora? Quem quererá ler a tua obra? Pretendes incluir ilustrações? E, acima de tudo… a quem confiarás o teu manuscrito, bem como a sua edição, impressão e distribuição?

Escolher uma editora não é uma decisão a tomar de ânimo leve; exige ponderação e cuidado para evitar quaisquer arrependimentos. Antes de enviar manuscritos e assinar contratos com a primeira editora que nos aparece à frente, há que considerar e analisar as outras opções disponíveis e compreender o que as diferencia umas das outras.

Existem diversos fatores capazes de influenciar, positiva ou negativamente, as expetativas de um autor e o impacto da obra no mercado: visibilidade, investimento, distribuição, qualidade, relação entre autor e editora, presença online, recursos e custos. Fatores que dividem o panorama editorial em dois grandes grupos – Editoras Tradicionais e Editoras Independentes – aos quais se juntou, recentemente, a Edição de Autor, mais concretamente, a Autopublicação.

EDITORAS TRADICIONAIS

Quando pensamos em editoras tradicionais, surgem-nos de imediato ao pensamento a Bertrand Editora, a Porto Editora, a LeYa, a Almedina, a Editorial Presença e a Planeta, entre muitas outras. Estas são conhecidas como as grandes casas editoriais, não só pelo seu forte destaque e presença nas livrarias, feiras e redes sociais, mas também graças à publicação, tradução e reedição de obras bestsellers e às condições vantajosas que proporcionam aos seus autores, como uma distribuição alargada e a assunção dos custos de edição, impressão e distribuição.

Contudo, até mesmo poderosas casas editoriais como estas têm os seus inconvenientes: os prazos tendem a ser mais longos; os autores nem sempre têm a palavra final em relação, por exemplo, à encadernação ou ao título; probabilidades de apostar em novos autores podem ser reduzidas e, às vezes, poderá existir uma maior aposta na quantidade em detrimento da qualidade.

EDITORAS INDEPENDENTES

De seguida, temos o grupo das Editoras Independentes – como a Trinta-por-uma-linha, Sana Editora, Visgarolho Editora, Nova Geração, Borbolet’a’ler, Editora Bruaá, Planeta Tangerina, Livros Horizonte e muitas mais –, reconhecidas pela sua diversidade literária e pela maior abertura à receção de novos autores, sobretudo autores nacionais.

Apesar das limitações a nível de recursos e de alcance, estas editoras distinguem-se pelo seu foco na relação com o autor. Procuram garantir que as suas sugestões são ouvidas e que as propostas são devidamente consideradas, mantendo-os a par das decisões tomadas ao longo de todo o processo de produção. Neste caso, o objetivo destas editoras é fazer o possível para enriquecer o panorama cultural e literário – em especial o português –, abrindo espaço a novas vozes literárias para que elas possam ter um começo.

AUTOPUBLICAÇÃO

Por fim, surge uma terceira opção que, impulsionada pelo avanço tecnológico, tem vindo a ganhar cada vez mais destaque: a edição de autor, mais conhecida como autopublicação. Neste campo, o autor assume múltiplos papéis – editor, revisor, paginador, ilustrador, impressor e distribuidor –, possuindo completa autonomia e controlo sobre todas as etapas do processo, inclusive as vertentes financeira e promocional.

Optar pela autopublicação pode revelar-se um desafio significativo, pois o autor tem de recorrer aos seus próprios recursos, redobrando os esforços para garantir fidedignidade, essencialmente num mercado onde predominam obras associadas a editoras de renome. Nesta situação, quando a responsabilidade começa a pesar – a ser demasiada –, existem outras hipóteses, como recorrer a trabalhadores independentes especializados na área da revisão, tradução, ilustração e paginação e plataformas como o Kindle Direct Publishing (KDP) que te ajudam a autopublicar a tua obra tanto em capa mole como em capa dura, inclusive em formato e-book, e que se encarregam da própria impressão e distribuição.

No final, é fundamental estar consciente dos riscos e do que pode ser exigido da tua parte se escolheres qualquer um destes caminhos. Conhecer as vantagens e desvantagens que diferenciam as editoras reduz definitivamente o leque de opções, contudo, para que o processo de publicação seja bem-sucedido, há que garantir uma relação construída com base na qualidade, no respeito mútuo e na honestidade, evitando cair na ilusão de algumas editoras, especialmente editoras Vanity Press. Quando estamos perante uma Vanity Press, há que estar atento, uma vez que a sua reputação não é das melhores. Não todas, mas algumas são conhecidas pela falta de investimento e de qualidade, pagamentos elevados, desorganização, contratos com lacunas e promessas vãs, indo contra tudo o que uma editora representa. Segundo a Andrômeda Editora, uma editora exemplar é aquela “que investe na apresentação do livro como objeto cultural” e “demonstra zelo pelo trabalho do autor e respeito ao leitor” (Andrômeda Editora, 2025).

No entanto, não é o suficiente. O que garante que escolherão o teu manuscrito? Para além de procurar uma editora que corresponda às tuas expetativas, é essencial que o teu manuscrito também corresponda às dela. Por conseguinte, há que avançar para a fase da pesquisa, analisando, catálogo atrás de catálogo, os livros publicados por cada editora e tentar perceber se há correspondência entre esses livros e o teu manuscrito, a nível de tema, género literário e público-alvo.

Em suma, publicar um livro é um processo demorado que exige dedicação, empenho, apoio e compromisso, cujas escolhas devem ser feitas de forma consciente e prudente. Não só no que diz respeito à seleção da editora, mas também sobre como abordá-la, uma vez que há requisitos a cumprir. Já ouviste falar da Carta de Apresentação? Fiquem atentos, pois, em breve, explicaremos como se escreve uma e quais os cuidados a ter ao enviar um manuscrito para uma editora.

Webgrafia:

Andrômeda Editora. (2025, 9 de junho). Como escolher uma editora para lançar seu livro? Seu guia completo. https://andromedaeditora.com.br/como-escolher-uma-editora/

Editora Oceanus. (2024, 26 de agosto). Tipos de Editoras: Qual Escolher Para Publicar Seu Livro? https://www.editoraoceanus.com.br/tipos-de-editoras-qual-escolher-para-publicar-seu-livro

Laboratório de Escrita. (2020, 14 de abril). Como escolher a editora certa. https://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/como-escolher-a-editora-certa

Machado, C. (2019, 25 de fevereiro). Tipos de editoras que podem publicar seu livro. Revisão Para Quê? https://revisaoparaque.com/blog/tipos-de-editoras-que-podem-publicar-seu-livro/

Raphael. (2025, 6 de janeiro). O que é uma Vanity Press? Um Guia Esclarecedor para Escritores e Leitores. Escrita Selvagem. https://escritaselvagem.com.br/carreira-literaria/vanity-press/

Simões, D. (s. d.). O que existe são boas e más editoras. https://diogoafsimoes.com/2021/07/05/o-que-existe-sao-boas-e-mas-editoras/

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