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domingo, 27 de julho de 2025
Por Raquel Seiça
Para não ficar para trás, a prática da leitura tem-se ajustado aos avanços tecnológicos e às tendências atuais, misturando a magia das palavras com a interatividade e praticabilidade dos ecrãs.
Ultimamente, é cada vez mais comum vermos pessoas a ler e-books ou a ouvir audiolivros, sobretudo com o crescimento de plataformas como o Kindle e Kobo ou aplicações como Audible – formatos considerados alternativos, modernos e apropriados para os dias de hoje.
Será este o trágico e cruel fim dos livros físicos? Será o simples ato de virar as páginas e cheirá-las substituído pelo som ou por um simples deslizar de dedo? Deixarão as livrarias existir de todo? Sempre que os ventos da mudança recaem sobre alguma prática, automaticamente, somos levados a pensar que o antigo está a ser atacado. Ameaçado. A ser posto de lado. No entanto, a realidade é mais complexa do que isso.
Neste artigo, iremos comparar os três principais formatos de leitura – livros físicos, e-books e audiolivros –, analisando as suas vantagens, desvantagens e os contextos ideais de uso.

Livros Físicos
Com a sua encadernação, textura do papel e o CHEIRO caraterístico, os livros físicos são apreciados com grande afeição pela experiência sensorial que nos oferecem e pelo formato retangular que se encaixa perfeitamente nas estantes ao lado dos outros, sendo depois possível personalizá-las por cores, géneros ou letras do abecedário – um detalhe que dá vida e personalidade ao nosso quarto ou escritório. Para além disso, ler um livro físico contribui positivamente para um melhor controlo de défice de atenção, ajudando-nos a manter o foco, a ser pacientes, e assumir um ritmo mais calmo, esperando chegar até o próximo capítulo para saber o que vai acontecer a seguir.
Contudo, a sua portabilidade pode ser um inconveniente. Transportá-los nem sempre é prático, sobretudo se forem grandes, pesados e de capa dura. Além disso, são frágeis e suscetíveis a danos, ao desgaste e à humidade. Já para não falar do custo que nem sempre é acessível comparado com as alternativas digitais.
E-Books
Para alguns, o surgimento dos e-books representa uma mais-valia; para outros, é um retrocesso. Ainda assim, não há como ignorar os benefícios que traz para nós leitores. Não só os preços são geralmente mais acessíveis do que os dos livros físicos, como também podemos guardar uma biblioteca inteira num único dispositivo – ideal para quem gosta de ler em viagem. Deste modo, não tem com que se preocupar em ir tão carregado(a) e ainda ter espaço na mala, principalmente livros dos quais estamos interessados em ler cuja versão eletrónica já se encontra disponível. Em vez de esperar uma eternidade para que a cópia impressa saia nas livrarias e lojas, neste caso, seria só preciso um simples toque para fazer o download, imediato e prático.
Não esquecendo de mencionar que os e-books oferecem ferramentas úteis que enriquecem a experiência da leitura: ajustar o tamanho da letra e a luminosidade, consultar o dicionário, tirar notas e sublinhar frases – tudo sem o sentimento de culpa ou remorso por estar a “escrever” no livro.
Mas, tal como o livro físico, o e-book vem com os seus inconvenientes. Exigem o carregamento de bateria – causando uma pausa obrigatória a meio da leitura ou servindo como uma barreira quando o bichinho da leitura chama por nós –, pode cansar a vista e, para muitos, não se compara com a sensação de segurar um livro impresso nas mãos – a delicadeza de virar as páginas e sentir a sua textura, aconchegar o livro ao peito, após adormecer a meio…
Audiolivros
Muitos pensavam que os e-books seriam a última etapa na evolução da leitura, contudo, numa sociedade em constante movimento, surgiu uma nova alternativa, uma mais inclusiva, onde as palavras ganham som: o audiolivro. Com a chegada deste formato, abriu-se caminho para uma nova experiência sensorial – uma que alimenta ainda mais a nossa imaginação e que resulta numa imersão mais profunda na história.
Este meio de leitura prova ser eficaz tanto para quem absorve melhor a informação através da audição, como também para pessoas com dificuldades visuais ou dislexia. Além disso, são uma ótima alternativa para aqueles com uma vida atarefada e com pouco tempo para se sentarem a ler. Ouvir um audiolivro pode ser um ótimo método para animar e entreter, enquanto estamos a realizar outras tarefas mundanas como, por exemplo, caminhar, correr, arrumar, cozinhar…
Contudo, até os audiolivros têm as suas limitações. Ao contrário dos livros físicos e dos e-books, é mais difícil voltar para o capítulo anterior e tirar apontamentos. Requerem uma alta atenção auditiva, pois, basta um pequeno deslize para nos escapar detalhes importantíssimos do enredo – o que pode resultar em retrocessos constantes e, em alguns casos, à frustração de nunca terminar o livro.
Outro fator a considerar é a qualidade da narração. A experiência pode ser drasticamente influenciada pelo desempenho vocal do narrador. Caso a voz escolhida não combine bem com a personalidade da personagem ou com o gosto do ouvinte, este pode acabar por desistir da leitura.

No meu caso, nada substitui um livro físico. Apesar de eu mesma usufruir de um e-reader, maior parte dos meus livros são físicos, pois nada ultrapassa o toque, o cheiro, a experiência única de entrar numa livraria apenas para estar rodeada de livros e passar com o dedo pelas suas colunas, mesmo que acabemos por sair de mãos vazias… Existem outras pessoas que pensam o mesmo que eu e a questão é mesmo essa!
Talvez o antigo caia em esquecimento para uns, mas não para todos. Não é que o livro físico vá entrar em estagnação ou ficar obsoleto. Simplesmente depende das preferências e estilo de vida do leitor. Vejamos, por exemplo, os jornais: apesar de serem lidos com menos frequência, continuam à venda em lojas, cafés e quiosques, pois continuam a ser a principal escolha de um público-alvo específico.
Enquanto uns preferem a sensação da capa nas mãos, outros preferem a praticabilidade dos e-books ou a inclusão dos audiolivros. Tal como cada um tem o seu género favorito, as pessoas optam pelo modo de leitura que lhes é mais favorável e oportuno. Nada nos impede de usufruir das vantagens dos três formatos ao mesmo tempo. Um dia, lemos um livro físico, no outro, pode dar-nos mais jeito ler um e-book ou um audiolivro, quem sabe? Afinal, em vez de competir entre si, estes formatos podem e devem coexistir de forma complementar.
Em suma, o que importa não é o formato em si, mas sim que as histórias sejam aproveitadas ao máximo e que a chama da leitura continue viva dentro de nós.
Dani, V. (2024, 29 de janeiro). What Is the Difference between Audiobooks and Digital Books? KITABOO. https://kitaboo.com/difference-between-audiobooks-and-digital-books/
Mason W. (2022, 27 de junho). Audiobooks, eBooks or Physical Books? Which one do you prefer? Glocusent. https://glocusent.com/blogs/book-light/audiobooks-ebooks-or-physical-books-which-one-do-you-prefer?srsltid=AfmBOoqxo8mewdSVTp6muptHKWadk43RUtT203gF0rLfSXOaqbLL_cVs
Ngo, L. (2017, 10 de janeiro). Paper book vs. Ebook vs. Audiobook: A personal perspective. Medium. https://medium.com/wave-and-wind/paper-book-vs-ebook-vs-audiobook-a-personal-perspective-821b6fc17e46