quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Raquel Seiça
Quem nunca sonhou em entrar no mundo mágico das palavras e da imaginação para escapar da realidade? Quer seja através do folhear das páginas de um livro, do reflexo num lago sereno, da dança descendente de uma folha que parece abrandar no tempo, das gotas de chuva escorrendo pela janela de um carro ou até de um espelho de mão cuja superfície espelhada revela versões de nós mesmos que desconhecíamos… Num mundo onde somos facilmente esquecidos, ignorados, ridicularizados ou mal compreendidos, onde as nossas inseguranças, imperfeições e fraquezas se tornam alvo de chacota, o livro é a nossa âncora.
É aí que começa a história de Artur: um rapaz tímido e inseguro, sem amigos e vítima de bullying, que encontra nas histórias um lugar de refúgio e conforto. Um dia, depara-se com um livro deveras peculiar na biblioteca da escola. Um livro completamente em branco, com apenas uma mensagem dirigida a ele, avisando-o de que Mythia corria perigo e precisava da sua ajuda. Mas como é que o livro sabia o seu nome? E o que significaria “Mythia”? Seria uma pessoa ou um lugar?
Intrigado, Artur levou o livro consigo para casa, sem ideia do que o destino lhe reservava… A sua normalidade veio a ser abalada quando, numa manhã aparentemente igual às outras, um espelho de mão surgiu como que por magia no seu quarto. Envolvido por uma misteriosa luz azulada, Artur é transportado para Mythia, um reino místico de outro mundo onde feiticeiros, sereias, anões, elfos e cães metade-dragão vivem em comunidade. Contudo, essa harmonia encontra-se ameaçada pelos ataques de sombras malignas, controladas por Umbra, outrora conhecido como Ílion, o antigo príncipe de Mythia. Segundo a profecia, apenas o portador do Espelho de Nythalor será capaz de reunir os três fragmentos do Bastão de Mythia, a única arma capaz de pôr fim ao domínio de Umbra. E o futuro de todo o reino encontra-se depositado nos ombros do nosso querido Artur, um rapaz comum, sem uma pinga de magia e longe de possuir as capacidades que fariam dele um herói… ou, pelo menos, assim pensava ele.
Acompanhado por Sofia, uma elfa confiante que enche de esperança o seu coração, e Luís, o conselheiro mágico, carismático e jovial que rapidamente se torna num símbolo de confiança – e talvez algo mais… –, Artur parte numa demanda em busca dos três fragmentos. Pelo caminho, explora os trilhos daquele reino grandioso e deixa-se envolver pela sua beleza etérea: da floresta de Eldorian, onde a luz do sol derrama sobre as copas das árvores como fios de ouro, às águas do Lago Melorian, que escondem um reino inteiro nas suas profundezas; do Labirinto das Histórias Já Contadas, onde as personagens dos contos de fadas encontram o seu lugar após o seu “Felizes Para Sempre”, à ancestral Árvore Lumen, guardiã de todo o conhecimento; e, por fim, ao Mosteiro dos Ecos, onde as diversas realidades se entrelaçam.
Ao longo da viagem, encontram personagens tão excêntricas quanto inesquecíveis e constroem amizades improváveis. Uma sereia graciosa que prefere bolinhos a trazer homens enfeitiçados às suas águas, um cão feito de escamas que cospe fogo, uma mulher aprisionada entre a pedra e o tempo… Mas esta não será uma aventura sem consequências. Artur e os seus companheiros serão postos à prova, os seus corações testados… Sacrifícios terão de ser feitos… Afinal, esta demanda não se resume à salvação de um reino inteiro, mas também à batalha entre a luz e a sombra dentro do coração de cada um deles.
Com uma escrita fascinante, que respira encanto em cada página, João do Carmo assegura uma leitura mágica e, simultaneamente, profunda, onde o fantástico se cruza com questões muito reais. Entre criaturas extraordinárias, mundos impossíveis e aventuras épicas, a narrativa aborda temas como autoconfiança, autoestima, aceitação das nossas imperfeições e a superação dos nossos medos, com uma leve pitada de romance no meio. 😉
Para os fãs de As Crónicas de Nárnia e A Ponte de Terabítia, para vocês, leitores, com a cabeça sempre nas nuvens e cuja imaginação não conhece limites, nunca deixando de acreditar em mundos para lá da nossa realidade, Mythia aguarda a vossa chegada. Venham lutar ao lado de Artur e dos seus amigos e descubram a magia que reside adormecida dentro de vós, pois cada pessoa é especial à sua maneira e carrega consigo uma luz única que nem mesmo a mais sombria das sombras conseguirá extinguir.
Sobre o autor, João do Carmo nasceu em Faro, em 1995. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade do Algarve e hoje vive e trabalha na bela cidade de Tavira. Considera-se um eterno sonhador. Poderá encontrá-lo atrás de uma caixa de supermercado, na sua página de Instagram em nome próprio ou na sua página dedicada aos livros chamada "Fantasma dos Livros". O Nome Que A Sombra Escondeu é a sua primeira obra publicada.
Sobre a editora, Cordel d'Prata foi fundada em 2018 e é especializada na publicação e valorização de novos autores nacionais. Representando atualmente mais de 1500 autores, tem vindo a expandir a sua presença além-fronteiras, com catálogo em Espanha e direitos internacionais de obras francesas. A editora distingue-se ainda pelo acompanhamento próximo dos seus autores e pela organização dos Troféus e Gala dos Autores Cordel d’Prata.
O Nome Que a Sombra Escondeu (2026)
Texto: João do Carmo
Editora: Cordel d'Prata
