domingo, 18 de maio de 2025
Por Raquel Seiça
Já alguma vez te sentiste como se estivesses submerso(a) num mar repleto dos teus próprios pensamentos, entrelaçados e sobrepostos como um novelo, como um turbilhão de vozes sem sentido, incapaz de captar e discernir o seu significado? Como se não te conhecesses de todo?
Pensamentos como estes podem ser descartados e/ou ignorados, tentando o possível para silenciar as vozes. No entanto, não estaríamos verdadeiramente em paz conosco mesmos. Sentiríamos que uma parte de nós encontrava-se em falta. Estaríamos incompletos. Em vez de virar as costas ao problema, há que encontrar um método adequado para o enfrentar.
Para alguns, esse método é a arte da escrita.
Ao despojar os pensamentos em palavras, não só os organizamos e guardamos, para sempre eternizados por entre a tinta e o papel, como também iniciamos uma conversa com o nosso ‘eu’ interior.

A qualquer hora do dia, de forma consistente ou espontânea, conforme a vontade de escrever precise de ser saciada, esta prática ajuda-nos a refletir sobre qualquer aspeto da nossa vida. Quer seja na entrada de um diário, na última página de um caderno, ou na parte de trás de um recibo, longe dos olhares curiosos, os nossos pensamentos tornam-se em palavras e essas palavras exercem poder, desenterrando sonhos, aspirações, receios, ideais e emoções, o que resulta num crescimento interno e num melhor entendimento sobre nós mesmos.
Até mesmo as histórias que estiveram na nossa cabeça desde sempre, cujos mundos e personagens são criados a partir da imaginação e criatividade. Ao dar-lhes vida, detém uma parte, um pedaço, dos seus escritores/autores, quanto à forma como pensam, no que acreditam e como interpretam o mundo.
Por entre as linhas, as palavras desenterram uma parte de nós que desconhecíamos. Que estava adormecida e da qual tínhamos receio de acordar e de aceitar. A escrita nem sempre é uma arte delicada. Às vezes, pode ser caótica, agressiva e tumultuosa quando somos apoderados por uma explosão de emoções – angústia, raiva, pavor e/ou ansiedade. No entanto, esses sentimentos não deixam de ser válidos, fazem parte de nós e, ao pô-los no papel, não só se sente uma certa leveza e quietude, como também se atinge uma melhor compreensão e gestão emocional.
Com isto em mente, de modo a começar uma conversa com os nossos pensamentos, escolher o ambiente, a hora do dia e as ferramentas adequadas variam conforme a pessoa. Quer seja num ambiente sossegado ou num lugar com muita gente em volta, com música no fundo… Seja logo ao acordar ou a meio da tarde, acompanhado com um cafezinho ou um chá e um pastel, ou antes de ir dormir… Através de uma caneta e um caderno ou de um teclado… Tantas possibilidades que divergem de acordo com a pessoa, pois são estes pequenos fatores que afetam e influenciam, positiva ou negativamente, a nossa disposição e vontade para escrever.
Com o suave movimento da caneta ou a partir do clack click clack ágil e veloz do teclado, deixa os pensamentos fluírem e as palavras desabrocharem. Qualquer coisa, o que for. Uma página inteira, um parágrafo, um pequeno poema ou uma única palavra, pois tudo tem um significado, cada palavra tem o seu valor, mesmo que não pareça ao início.
Escrever é refletir.
Escrever é dialogar.
Escrever é libertar.
Webgrafia:
Grabatin, E. (2024, 3 de agosto). Storytelling: A Self-Discovery Path to Live a Better Story. https://emilygrabatin.ca/storytelling-a-self-discovery-path-to-live-a-better-story/
Grabatin, E. (2024, 23 de setembro). Book Writing for Self Discovery, Growth Mindset and More Benefits. https://emilygrabatin.ca/book-writing-for-self-discovery/
Popova, M. (2023, 28 de dezembro). Writing as a tool for self-discovery: Unveiling Your Inner Narratives. Medium. https://medium.com/@mariia.popova/writing-as-a-tool-for-self-discovery-unveiling-your-inner-narratives-d4b017fdc5f8
Widmer, B. (2016, 15 de julho). Why Writing Helps You Understand Yourself. Medium. https://medium.com/@billwidmer/why-writing-helps-you-understand-yourself-eadfe21e084e